quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os bastidores de uma grande batalha televisiva


Era madrugada, as luzes estavam apagadas, estúdios desmontados, corredores vazios. Não se ouvia som algum em um raio de 100 metros. A grande emissora brasileira praticamente toda dormia. Isso, é claro, no ambiente natural. Espíritos vagavam de um lado a outro, apreensivos e inquietos; no dia seguinte eles sabiam que não teriam companhias agradáveis.

Um dos maiores e mais escuros, com suas asas já rasgadas de batalhas anteriores e com o rosto de uma besta de olhos vermelhos e 6 chifres, gritava aos seus subordinados:

- Sim, seu bando de inúteis, as coisas por aqui não estarão tão boas amanhã.

Uma criaturinha asquerosa, com olhos de cobra e pele reptiliana dirigiu-se a ele: Mas meu Baal, meu senhor, domingo não é o dia mais proveitoso e lucrativo pra nós?

- Então você ainda não sabe, seu verme despresível?! – retrucou a grande criatura – Os servos Daquele lá estarão aqui. Uma grande hoste celestial entrará pela nossa porta da frente e não poderemos fazer NADA para impedir o estrago. Quando Ele ordena, nós não podemos ir contra, não temos autoridade contra o Deus Vivo ou seus servos.

O covil se agitou ainda mais ao ouvir aquela notícia. A grande horda infernal reunia altos principados e até mesmo uma das potestades. Mas do menor ao maior, todos temiam os planos Daquele que È, que Era e sempre Será.


Finalmente, o domingo chegou.
No portão principal do complexo de estúdios da emissora estavam 4 seres monstruosos, guardando a entrada, quando avistaram uma luz insuportável chegando pela avenida. Um dos guardas chamou seu criado:

- Diga a Baal que eles estão aqui, rápido.

Cerca de 3 veículos, então, chegaram ao portão; não tiveram problemas em passar pelos funcionários e a essa altura os guardiões já estavam completamente curvados com as cabeças abaixadas, sem ao menos ousarem olhar para frente.
Na frente, ao redor e atrás daquela pequena comitiva vinda de Belo Horizonte, estava um exército celestial esplendoroso, milhões de anjos e arcanjos preparados para executar as ordens do capitão.
Uma das portas do primeiro carro se abre, a líder da comitiva; uma mulher de pequena estatura e muito meiga, saiu distribuindo sorrisos a todos os lados. De repente, vindo das alturas como um raio cortante, o capitão do exército: ninguém menos que o anjo Miguel, se posta ao lado direito dessa mulher.
Neste exato momento toda a horda maligna chegava ao lugar e um embate era eminente. O tal Baal fez questão de ficar frente a frente com Miguel e dizer:
- Como ousa adentrar em meus domínios, insolente servo do Altíssimo?
- É com a autoridade, o poder e a ordem do Cristo que eu e o exército celestial acompanhamos estes servos do Altíssimo, que vieram cumprir os Seus desígnios e iniciar o desencadear de obras nunca antes vistas nesta nação. Você sabe que não tem poder ou número para tentar nos barrar.


Praguejando e blasfemando, o grande espírito maligno saiu batendo suas asas sombrias, e com ele foram todos os seus servos, que faziam morada naquele lugar. Ficaram em derredor do exército celestial, mas evitavam proximidade, pois aquela intensidade de luz doía-lhes mais do que qualquer coisa.
Enquanto a pequena equipe de mineiros se dirigia aos estúdios e camarins, para passar o som e se prepararem para a apresentação no grande programa, o exército começou a se organizar e se preparar. De longe, como que carregados pelo vento, chegavam sussurros e gemidos – era o som de oração e intercessão de centenas de pessoas, em favor do evento.

Miguel ia de um lado a outro, dando ordens aos demais capitães e preparando-os para a grande empreitada que começaria em instantes. Eles só estavam esperando o sinal do Espírito.

Era hora, a serva do Senhor já estava atrás do palco, os músicos estavam posicionados e o apresentador começava a atração: - O nosso programa, orgulhosamente apresenta ...

O grande arcanjo levantou sua espada e imediatamente os anjos começaram a partir cada um ia a uma direção diferente do país. De Norte a Sul eles entravam em casas, bares, restaurantes, hospitais... mais 30 milhões de pessoas receberiam a semente da Fé, em seus corações, naquele dia.

Ao ver os soldados zunindo como raios e desaparecendo no horizonte, Miguel diz a si mesmo:

- Se o povo que habita essa Terra soubesse o que Deus lhes está preparando, eles estariam orando mais. Mas o despertar dos filhos de Deus vem, e vem sem demora, glórias ao Cordeiro.

Então, como num piscar de olhos, ele ascendeu aos céus e desapareceu na imensidão das estrelas.
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Escrito por: Marco Túlio Romano - Blog Escrevendo de Tudo
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