
Era madrugada, as luzes estavam apagadas, estúdios desmontados, corredores vazios. Não se ouvia som algum em um raio de 100 metros. A grande emissora brasileira praticamente toda dormia. Isso, é claro, no ambiente natural. Espíritos vagavam de um lado a outro, apreensivos e inquietos; no dia seguinte eles sabiam que não teriam companhias agradáveis.
Um dos maiores e mais escuros, com suas asas já rasgadas de batalhas anteriores e com o rosto de uma besta de olhos vermelhos e 6 chifres, gritava aos seus subordinados:
- Sim, seu bando de inúteis, as coisas por aqui não estarão tão boas amanhã.
Uma criaturinha asquerosa, com olhos de cobra e pele reptiliana dirigiu-se a ele: Mas meu Baal, meu senhor, domingo não é o dia mais proveitoso e lucrativo pra nós?
- Então você ainda não sabe, seu verme despresível?! – retrucou a grande criatura – Os servos Daquele lá estarão aqui. Uma grande hoste celestial entrará pela nossa porta da frente e não poderemos fazer NADA para impedir o estrago. Quando Ele ordena, nós não podemos ir contra, não temos autoridade contra o Deus Vivo ou seus servos.
O covil se agitou ainda mais ao ouvir aquela notícia. A grande horda infernal reunia altos principados e até mesmo uma das potestades. Mas do menor ao maior, todos temiam os planos Daquele que È, que Era e sempre Será.
Finalmente, o domingo chegou.
No portão principal do complexo de estúdios da emissora estavam 4 seres monstruosos, guardando a entrada, quando avistaram uma luz insuportável chegando pela avenida. Um dos guardas chamou seu criado:
- Diga a Baal que eles estão aqui, rápido.
Cerca de 3 veículos, então, chegaram ao portão; não tiveram problemas em passar pelos funcionários e a essa altura os guardiões já estavam completamente curvados com as cabeças abaixadas, sem ao menos ousarem olhar para frente.
Na frente, ao redor e atrás daquela pequena comitiva vinda de Belo Horizonte, estava um exército celestial esplendoroso, milhões de anjos e arcanjos preparados para executar as ordens do capitão.
Uma das portas do primeiro carro se abre, a líder da comitiva; uma mulher de pequena estatura e muito meiga, saiu distribuindo sorrisos a todos os lados. De repente, vindo das alturas como um raio cortante, o capitão do exército: ninguém menos que o anjo Miguel, se posta ao lado direito dessa mulher.
Neste exato momento toda a horda maligna chegava ao lugar e um embate era eminente. O tal Baal fez questão de ficar frente a frente com Miguel e dizer:
- Como ousa adentrar em meus domínios, insolente servo do Altíssimo?
- É com a autoridade, o poder e a ordem do Cristo que eu e o exército celestial acompanhamos estes servos do Altíssimo, que vieram cumprir os Seus desígnios e iniciar o desencadear de obras nunca antes vistas nesta nação. Você sabe que não tem poder ou número para tentar nos barrar.

Praguejando e blasfemando, o grande espírito maligno saiu batendo suas asas sombrias, e com ele foram todos os seus servos, que faziam morada naquele lugar. Ficaram em derredor do exército celestial, mas evitavam proximidade, pois aquela intensidade de luz doía-lhes mais do que qualquer coisa.
Enquanto a pequena equipe de mineiros se dirigia aos estúdios e camarins, para passar o som e se prepararem para a apresentação no grande programa, o exército começou a se organizar e se preparar. De longe, como que carregados pelo vento, chegavam sussurros e gemidos – era o som de oração e intercessão de centenas de pessoas, em favor do evento.
Miguel ia de um lado a outro, dando ordens aos demais capitães e preparando-os para a grande empreitada que começaria em instantes. Eles só estavam esperando o sinal do Espírito.
Era hora, a serva do Senhor já estava atrás do palco, os músicos estavam posicionados e o apresentador começava a atração: - O nosso programa, orgulhosamente apresenta ...
O grande arcanjo levantou sua espada e imediatamente os anjos começaram a partir cada um ia a uma direção diferente do país. De Norte a Sul eles entravam em casas, bares, restaurantes, hospitais... mais 30 milhões de pessoas receberiam a semente da Fé, em seus corações, naquele dia.
Ao ver os soldados zunindo como raios e desaparecendo no horizonte, Miguel diz a si mesmo:
- Se o povo que habita essa Terra soubesse o que Deus lhes está preparando, eles estariam orando mais. Mas o despertar dos filhos de Deus vem, e vem sem demora, glórias ao Cordeiro.
Então, como num piscar de olhos, ele ascendeu aos céus e desapareceu na imensidão das estrelas.
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Escrito por: Marco Túlio Romano - Blog
Escrevendo de Tudo
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